A Diretoria Nacional do SINPAF e sindicatos representantes de diversos segmentos de trabalhadores participaram, na manhã desta quinta-feira (20), do lançamento da Campanha Nacional “Brasil Forte: Servidores Públicos e Estatais de Qualidade”, na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal.

Com a coordenação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o apoio do senador Paulo Paim (PT/RS), a Campanha é mais uma ferramenta de luta para defender as estatais, promover o debate e uma agenda de mobilizações contra a Emenda Constitucional 95 e as privatizações desencadeadas pelo governo Temer.

“É lamentável que empresas públicas, tão importantes e estratégicas para o desenvolvimento do nosso país e para a promoção da justiça social, venham sofrendo um desmonte sistemático promovido pela agenda do atual governo”, salienta o presidente do SINPAF, Carlos Henrique Garcia.

EIXOS – De acordo com a secretária de Relações do Trabalho da CUT Nacional, Graça Costa, a Campanha será conduzida por três eixos principais: a revogação da Emenda Constitucional 95, que congela por 20 anos os gastos públicos e investimentos nas áreas sociais; a defesa das empresas estatais, contra privatizações e a venda do patrimônio público; e a valorização das empresas e serviços públicos.

Durante a Campanha, plenárias regionais serão realizadas por todo o país para discutir o tema com os movimentos sociais, políticos, populares e a sociedade em geral. Também está prevista uma grande mobilização no mês de agosto, que terá a participação de cerca de 80 sindicatos integrantes da Campanha, inclusive do SINPAF.

PRIVATIZAÇÕES – O técnico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Neuriberg Dias, participou da audiência de lançamento da Campanha e apresentou um balanço das privatizações que já aconteceram no Brasil e das propostas que estão em tramitação no Congresso Nacional.

De acordo com o DIAP, 28 projetos de privatização foram concluídos, sendo a maioria de aeroportos, e cerca de 145 empresas públicas (federais, estaduais e municipais) estão em processo de privatização no poder executivo. (clique aqui e veja a lista completa)

“Para frear esse processo de privatização, além de uma mudança cultural, também exige uma mudança institucional que amplie a participação social nas decisões governamentais”, aponta o técnico do DIAP.

Neuriberg compartilhou ainda que, segundo levantamento do Datafolha divulgado em dezembro de 2017, sete em cada dez brasileiros são contra as privatizações. Na mesma pesquisa, a maioria da população (67%) também opinou que a venda de companhias brasileiras para grupos estrangeiros é prejudicial.

EMENDA 95 – A revogação da Emenda Constitucional (EC) 95, que congela por 20 anos investimentos públicos com educação, saúde e assistência social no Brasil, está sendo objeto de uma série de ações organizadas por movimentos sociais brasileiros.

Segundo a representante do movimento “Coalizão Anti-austeridade e pela Revogação da Emenda Constitucional 95”, Lizely Borges, essa Emenda está tornando inviável a garantia de vários direitos, penalizando ainda mais crianças, adolescentes, jovens, mulheres e idosos e, por isso, é um dos principais eixos da Campanha Brasil Forte.

“Milhões de pessoas estão sendo afetadas pela maior crise econômica que o Brasil já enfrentou em toda a sua história. Desemprego, fome e os cortes nas políticas públicas estão levando o país a um retrocesso, fazendo com que setores importantes da população voltem à miséria. Muitas famílias não estão conseguindo manter o mínimo para sobreviver”, relatou Lizely.

PARTICIPE – Para as centrais sindicais, o desmonte do Estado, com a privatização de empresas públicas, coloca em risco a soberania do país. “É hora de unidade. Por isso, convide sua família, seus amigos, vizinhos e colegas para conversar sobre como a crise está afetando suas vidas. Quebre o silêncio e junte-se a nós em prol do fim dos cortes sociais e da mudança da economia!”, conclamam os dirigentes sindicais.

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