Assessor é alvo de denúncias e gestão Moretti é conivente com o escândalo

Assessor é alvo de denúncias e gestão Moretti é conivente com o escândalo


Na última semana a Embrapa esteve nas primeiras páginas dos noticiários dos principais veículos de comunicação do país. Infelizmente, não foi por lançamento de tecnologia, premiação, homenagem ou pelos reconhecidos serviços prestados à sociedade brasileira, e sim por uma denúncia pública contra o assessor da presidência da empresa, o agrônomo Evaristo de Miranda.

Doze renomados pesquisadores da área ambiental acusam Evaristo de Miranda de desonestidade intelectual e científica, ao usar o nome e o prestígio da Embrapa para conferir autoridade a argumentos e proposições sem respaldo científico, os quais seriam produzidos intencionalmente por ele e seu grupo para distorcer a realidade ambiental brasileira e instrumentalizar determinados setores do agronegócio com informações aparentemente científicas.

Liderados por Raoni Rajão, professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os pesquisadores enviaram artigo à Revista Biological Conservation para desconstruir teses e estatísticas mirabolantes – segundo eles criativamente inventadas por Miranda – que não encontram abrigo na literatura técnico-científica, mas que trazem graves prejuízos às políticas de conservação ambiental do país, principalmente aquelas relacionadas ao desmatamento e às mudanças climáticas.

Se todo esse imbróglio já não fosse suficiente para macular a credibilidade da Embrapa e de seus pesquisadores/as, a resposta da Gestão Moretti às graves acusações dirigidas ao seu assessor pode ser considerada uma pérola da estratégia diversionista. Ela é, em essência, absolutamente contraditória e constrangedora, reforçando a conivência dessa gestão com as teorias negacionistas ora em voga e com seus artífices.

Enquanto profissionais sérios e comprometidos da empresa esperavam algum tipo de ação, pronunciamento, sindicância ou qualquer outra estratégia para salvaguardar a integridade científica da Embrapa, em estrita consonância com a Declaração de Singapura, foram surpreendidos com uma manifestação por escrito, em que a Gestão Moretti defende irrestritamente Evaristo de Miranda e sua equipe.

No documento, além de desvirtuar o foco da denúncia, qual seja, a impropriedade ética e a conduta científica questionável de Miranda e seu grupo, a Gestão Moretti apresenta uma narrativa megalomaníaca, tentando induzir os leitores à conclusão que o artigo científico de Rajão e colaboradores foi intencionalmente elaborado para prejudicar a Embrapa, seus profissionais e equipes, os agricultores brasileiros, a sustentabilidade ambiental do setor agropecuário nacional, e, quiçá, destruir o Universo. Por tudo isso, as já conhecidas mediocridade científica, incompetência gerencial e sabujice política da atual gestão agregam, nesse proceder, mais um “atributo”: o desvio ético.

Na tentativa de mostrar compromisso com a “Ciência”, a Gestão Moretti tenta desqualificar a Revista Biological Conservation – diga-se de passagem classificada como Qualis A1. Também afirma que a Embrapa preza pela “divergência, pluralidade de ideias e o direito ao contraditório”, mas reprova o artigo científico que confronta as teses de Miranda (tachando-o de manifesto), “por suas limitações e sugerida parcialidade”, ainda que o mesmo tenha sido minuciosamente avaliado por pares (como exige a boa ciência). Por fim, inflaciona o número de publicações científicas de Miranda e exalta o papel da Embrapa no desenvolvimento da agropecuária tropical, minimizando a ação de parceiros e de outros atores fundamentais nesse processo, entre outros deslizes cometidos.

Demissões recentes na Embrapa foram motivadas por manifestações públicas contrárias à atual gestão. Contudo, aparentemente, macular a reputação da empresa e de seus profissionais, atuar em desrespeito ao Código de Ética, ser publicamente acusado de fazer pesquisa e escolhas metodológicas direcionadas, favorecendo grupos e interesses específicos, são coisas corriqueiras para a Gestão Moretti.

Não é admissível continuar a administrar uma empresa do porte da Embrapa jogando os problemas embaixo do tapete. Pouca habilidade e esforço para conseguir recompor o orçamento destinado à empresa, altos investimentos em sistemas e softwares que não servem para nada, contratações esdrúxulas de consultorias, estrangulamento da criatividade científica pela burocracia crescente, inoperância, falta de diálogo e transparência, lentidão nos processos decisórios, aliados ao culto à bajulação, à vaidade e ao personalismo, são problemas que estão sufocando mentes e corações daqueles que mantêm a relevância da Embrapa.

É preciso publicizar que a Embrapa é sim uma empresa importante para a sociedade brasileira. Têm profissionais comprometidos, éticos, dedicados, reconhecidos, que trabalham com afinco, mesmo com tantas dificuldades. São eles que defendem e praticam os valores intrínsecos da ciência, pois tem consciência da centralidade que ela precisa ter na sociedade e da importância do papel que desempenham.

Por tudo isso, nós do SINPAF reiteramos à Gestão Moretti a apuração imediata e efetiva dos fatos que estão sendo amplamente denunciados pela imprensa acerca da atuação do assessor Evaristo de Miranda. É o mínimo a ser feito para que tenhamos uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva, que pratica e acata os preceitos éticos da Ciência.

A Embrapa, sua história, seus trabalhadores e trabalhadoras merecem respeito!!!

 

 

Acesse aqui artigos que contêm denúncias contra o assessor da Gestão Moretti, Evaristo de Miranda.

https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-fabulador-oculto/
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/01/25/cientistas-apontam-falsas-polemicas-da-embrapa.ghtml
https://www.saberatualizado.com.br/2019/08/o-guru-ambiental-do-novo-governo-tem.html
https://www.marianuniversitysabre.com/2022/01/26/false-controversies-influence-environmental-setbacks-in-brazil-says-study/
https://piaui.folha.uol.com.br/ideologo-de-bolsonaro-e-denunciado-por-cientistas/
https://oeco.org.br/noticias/cientistas-desmontam-falsas-controversias-de-guru-ambiental-de-bolsonaro/

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