Diretoria Nacional do SINPAF cobra posicionamento da Gestão Moretti sobre as denúncias contra Evaristo de Miranda

Diretoria Nacional do SINPAF cobra posicionamento da Gestão Moretti sobre as denúncias contra Evaristo de Miranda

Por: Diretoria Nacional | | Notícias gerais

Diante das graves denúncias amplamente veiculadas sobre a atuação do pesquisador Evaristo Eduardo de Miranda, que afetam não somente a reputação e a credibilidade da Embrapa, como prejudicam de maneira mais ampla as políticas públicas ambientais e a sociedade como um todo, a Diretoria Nacional do SINPAF cobra da Gestão Moretti um posicionamento institucional e medidas administrativas imediatas e efetivas, a respeito do escândalo envolvendo o pesquisador e, por extensão, a empresa.

Em artigo científico que será publicado na Revista Biological Conservation, doze renomados pesquisadores denunciam Evaristo de Miranda por usar suas   credenciais de pesquisador e gestor de unidade da Embrapa para favorecer interesses e demandas de grupos do agronegócio, por meio da produção de estudos e controvérsias científicas, assentados em metodologias questionáveis do ponto de vista científico. Com isso, consegue influenciar governantes e tomadores de decisão, especialmente nas temáticas ambientais, produzindo argumentos e narrativas contrárias às evidências já plenamente comprovadas pela comunidade científica.

As consequências desse tipo de influência contribuíram, entre outros fatores, para o aumento do desmatamento da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal; para o acirramento de conflitos e violência no campo; para o desmonte dos órgãos de fiscalização ambiental através das reduções de multas e desmobilização institucional; e para a violência contra as populações tradicionais.

Intitulado “The risk of fake controversies for Brazilian environmental policies”, o artigo-denúncia explicita o modus operandi de Miranda, o qual inclui, segundo aqueles pesquisadores, até mesmo a invenção e a manipulação de dados estatísticos que confundem e desinformam a opinião pública, mas instrumentalizam determinados setores do agronegócio com teorias aparentemente científicas.

Essa situação é extremamente prejudicial à sociedade brasileira e ao próprio agronegócio, pois, se por um lado procura beneficiar um segmento específico, vai contra as principais políticas e acordos internacionais relacionados à produção sustentável e ao meio ambiente, o que reflete negativamente na credibilidade nacional para comercialização dos produtos agropecuários de exportação.

Há muitas evidências e provas que a atuação de Evaristo de Miranda tem sido historicamente tendenciosa, manipulando dados e informações para dar sustentação à elaboração de propostas e projetos de Leis com objetivo de afrouxar e dilapidar a legislação ambiental em prol do agronegócio.  

Para ilustrar, levantamos dois exemplos marcantes. O primeiro foi a aprovação do novo Código Florestal em 2012 (Lei 12.651, de 2012), que, entre outras mudanças negativas, criou a anistia de multas ambientais para desmatamentos até 2008, reduziu significativamente as faixas de proteção da vegetação ciliar e alterou os percentuais de reserva legal no bioma Cerrado. O segundo foi um projeto de Lei que propunha a revogação do capítulo que trata da reserva legal do Código Florestal (PL 2.362/2019). Nestes dois casos, as teses e os dados questionáveis produzidos pelo pesquisador Evaristo de Miranda foram amplamente utilizados. Apesar do código florestal de 2012 ter sido duramente contestado pelos cientistas, o mesmo foi aprovado sem a participação desse importante segmento na sua elaboração. Já o Projeto de Lei 2.362/2019, após grande mobilização contrária à sua aprovação dentro da Embrapa, foi reprovado.

Certo do papel da Embrapa enquanto instituição pública de Estado e não de Governo, o SINPAF, assim como a grande maioria das(os) trabalhadoras(es) que têm construído essa importante empresa de pesquisa agropecuária, manifestam-se veementemente contra condutas antiéticas e pouco científicas por parte de profissionais da empresa.

Nesse sentido, e tendo em vista todo esse histórico e a repercussão extremamente negativa para a Embrapa, para a comunidade científica e para a sociedade brasileira, exigimos um posicionamento institucional público, a apuração das denúncias em curso por meio do devido processo legal e a imediata exoneração de Evaristo de Miranda da assessoria da presidência da Embrapa.

Sem mais, aguardamos um retorno imediato às(aos) trabalhadoras(es) da Embrapa, ao SINPAF e ao povo brasileiro!

Por uma Embrapa Pública, Democrática e Inclusiva!

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