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Presidente avalia atuação do SINPAF em 2011 e aponta desafios para 2012

Vicente Almeida destaca avanços na discussão de temas indispensáveis à categoria, relembrando momentos positivos e afirmando que os ganhos obtidos foram fruto da capacidade de mobilização dos trabalhadores. Entre os desafios para 2012 está a formação política dos dirigentes.

Ele ainda destaca a realização do I Seminário Nacional de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente, no início de novembro; a formação política das lideranças de base e a participação na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Além dos acordos coletivos de trabalho e da implantação das revisões dos planos de carreiras e salários da Embrapa e Codevasf, ele aponta como desafios para 2012 o aprofundamento do processo de formação política e o aperfeiçoamento da gestão sindical, tema de um seminário nacional programado para fevereiro, em Brasília.

- O que você destaca de positivo para a categoria neste ano de 2011?
- Este foi um ano carregado de simbologia. Iniciou com o mandato da primeira presidenta do Brasil e, consequentemente, com a recomposição do quadro de gestores nacionais, assim como os dos estaduais e do Distrito Federal. E foi também o primeiro ano de gestão desse coletivo que assumiu a Diretoria Nacional do SINPAF. Realizamos nosso 10º Congresso, que teve como marco importante a autocrítica do papel do movimento sindical e a proposição de uma postura mais atuante do ponto de vista da formulação e acompanhamento de políticas públicas para o fortalecimento da pesquisa agropecuária brasileira. O Plano de Lutas aprovado foi fruto de um debate longo e profundo e, por isso, está muito qualificado. Além disso, foram criadas três novas seções sindicais por iniciativa dos trabalhadores de Sinop, Tocantins e Maranhão.

- E os acordos coletivos?
- Nesse campo, destaco principalmente o engajamento dos trabalhadores, notadamente os da Embrapa e Codevasf, na campanha salarial. Isso nos ajudou a conquistar vários avanços, entre os quais ressalto a liberação de dirigentes sindicais, que devem aproveitá-la para construir uma postura mais avançada, não só abraçando de forma mais ampla as demandas dos trabalhadores nos locais de trabalho, mas também na construção de um movimento sindical solidário com os movimentos sociais, outros sindicatos e entidades importantes na luta pela democratização do país. Cerca de outros 60 avanços importantes obtidos nos acordos coletivos da Embrapa e Codevasf, entre eles a reformulação dos planos de cargos e salários, resultaram dessa mobilização e da capacidade de arguição, articulação e de sensibilização não apenas da comissão de negociação, mas principalmente da base.

- Foi também um ano marcante para o tema saúde do trabalhador.
- Sim. A  realização do I Seminário Nacional de Saúde do Trabalhador da Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário nos apontou não só que elementos da saúde do trabalhador devemos adotar como bandeiras de luta, mas também a nossa fragilidade orgânica no enfrentamento das demandas da nossa categoria nesse campo. Encontramos situações até penosas nos locais de trabalho e muitas vezes o dirigente sindical não tem os instrumentos necessários para atender a essas demandas. Avançar na qualidade de vida do trabalhador é fundamental para garantir a saúde física, mental e emocional. Temos uma defasagem de 22 anos nessa área. Portanto, precisamos construir essa luta a partir de uma estrutura metodológica, teórica e também pragmática.

- Há pouco, no início de dezembro, houve um curso de formação política para dirigentes. Qual a importância disso para o fortalecimento da categoria?
- Aprofundar o processo de formação política do nosso sindicato é fundamental para nos armarmos do ponto de vista da luta de classes. Trabalhador sem formação ou consciência política será dominado logo, e o que é pior: muitas vezes não tem nem consciência dessa dominação. Cerca de 30 lideranças locais e nacionais participaram intensamente do curso, o que nos anima muito. Esperamos realizar uma nova etapa de formação já no primeiro semestre de 2012.

- Foi também o primeiro ano do projeto SINPAF Itinerante. Como você o avalia?
- O SINPAF Itinerante teve grande apoio das lideranças locais, e isso merece destaque, pois nos mostrou a necessidade da Diretoria Nacional sair de Brasília e visitar sua base. Visitamos mais de 30 seções sindicais e realizamos mais de 50 reuniões e assembleias. É um projeto que será continuado e que certamente aproximará cada vez mais os trabalhadores do sindicato.

- O que toma importância ainda maior quando vivemos essa crise financeira mundial para a qual a resposta dos governos tem sido retirar direitos sociais e trabalhistas.
- Com certeza. Essa crise, como temos alertado, certamente chegará até nós. Precisamos nos preparar para enfrentá-la. Essa é a grande questão. Teremos condições de segurar direitos como décimo terceiro, férias e outros garantidos pela luta histórica dos tralhadores? A crise não é culpa nossa e sim do sistema capitalista que expropria do trabalhador, por meio do próprio Estado, o que ele produziu. Então, é importante nos qualificarmos do ponto de vista teórico para fazer o enfrentamento desse sistema falido e fazer o enfrentamento concreto, com pressão pública sobre o governo para que possamos construir um novo modelo de organização de produção a partir da valorização do ser humano.

- E do ponto de vista administrativo, o que você destaca de positivo em 2011?
- Primeiro, as alterações estatuárias. Por meio delas criamos a Diretoria Nacional de Saúde do trabalhador e Meio Ambiente, aumentamos o repasse para as seções sindicais, especialmente dos cursos provenientes da taxa de fortalecimento sindical, para que possam se reestruturar e fazer um melhor enfrentamento na relação capital versus trabalho. Outro passo importante para a autonomia na relação do sindicato com os trabalhadores foi a assinatura do contrato com o Ministério do Planejamento que nos permitirá fazer a filiação sem intermediação da Embrapa ou da Codevasf. Em breve estaremos conduzindo o processo de filiação no próprio sindicato.

- Apesar de tantos avanços, os trabalhadores da Pesagro continuam sem reajuste há mais de dez anos. Como você analisa essa situação?
- Primeiro temos que lamentar o perfil dos gestores do Rio de Janeiro. Não foi por falta de diálogo que ainda não conseguimos formalizar um acordo coletivo na empresa este ano. Ainda esperamos um desfecho positivo da reunião marcada para janeiro, no Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro. Se não houver acordo, ajuizaremos dissídio coletivo. Durante todos esses anos os trabalhadores têm enfrentado grande falta de compreensão dos gestores sobre a prioridade da pesquisa agropecuária como instrumento de gestão estadual. Enfim, esperamos viabilizar um acordo ou um dissídio e dar encaminhamento a outras questões que precisamos acompanhar, como a possibilidade de fusão com a Emater, que parece estar ocorrendo às escuras. Lamentamos muito essa posição autoritária dos gestores estaduais, mas também estamos planejamento mobilizações com esse tema. Se a fusão for inevitável, que seja discutida com os trabalhadores e lhes traga benefícios. Por último, registro que estamos reestruturando as seções sindicais naquela base, o que possibilitará a melhoria da atuação do SINPAF.

- O ano também finda sem que o governo tenha nomeado, até este momento, a diretoria da Codevasf.
- Essa situação mostra uma fragilidade muito grande da Codevasf, onde há pelo menos dois problemas centrais: o  primeiro é a ausência de mecanismos formais de combate à corrupção. Fizemos denúncias graves à presidência interina da empresa, que sequer criou uma comissão de sindicância para apurá-las. O segundo é a necessidade de avançar na formulação de políticas de gestão dos recursos hídricos dos perímetros irrigados do país. Para nós, os recursos naturais nacionais têm que ser explorados em benefício do povo brasileiro. Temos acompanhado com muita preocupação certos mecanismos que apontam para um processo de privatização da gestão dos perímetros irrigados e a retirada paulatina do pequeno e médio agricultor desses locais em benefício de grandes empresas. Esse modelo de desenvolvimento concentra renda e poder. Estamos buscando dialogar com vários movimentos, tanto dentro como fora do SINPAF, como é o caso agora do Perímetro Irrigado de Apodi, no Rio Grande do Norte. Esperamos nos qualificar melhor para fazer esse enfrentamento que é estritamente necessário não só para os trabalhadores filiados ao SINPAF como para toda a sociedade brasileira.

- No campo externo, houve uma reaproximação do SINPAF com movimentos sociais. Como isso fortalece a categoria?
- Essa reaproximação decorre de uma deliberação do 10º Congresso, especificamente nossa atuação na Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, da qual somos uma das entidades coordenadoras no Distrito Federal. Esse tema é extremamente necessário. Somos trabalhadores de  empresas que formulam conhecimento diretamente associado ao uso ou não de agrotóxicos,  portanto, temos não só  legitimidade do ponto de vista institucional como a responsabilidade ética e moral de nos debruçar sobre o tema e nos posicionar perante a sociedade. Temos dados que apontam o Brasil como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. A consequência disso é contaminação do solo, água, ar, até leite materno, por isso é muito necessário discutir esse assunto com a sociedade. Não podemos produzir alimentos produzindo doença, mas sim produzindo saúde e qualidade de vida. A campanha tem dado frutos importantes, como o documentário “O Veneno Está na Mesa”, do Sílvio Tendler, e tem produzido, a partir da articulação com pesquisadores e outros atores sociais, outros instrumentos importantes, como o livro “Agrotóxicos, Trabalho e Saúde”, organizado pela pesquisadora Raquel Rigotto com financiamento do CNPq, no qual temos uma participação importante. Temos a intenção de aprofundar cada vez mais a atuação do conjunto da militância do SINPAF nessa temática. Estamos contribuindo com o fortalecimento dos comitês da campanha em diversos estados, com participação de lideranças nossas em Manaus (Simone …),  Mato Grosso do Sul (Vanderlei Severino da Silva, diretor nacional de Formação Sindical) e no Distrito Federal (Vinícius Freitas, presidente da Seção Sindical Hortaliças).

- Além da implantação dos pontos revisados dos planos de cargos e salários da Embrapa e Codevasf, e dos acordos coletivos, quais serão as lutas importantes do SINPAF em 2012?-
- Essencialmente, teremos duas tarefas importantes em 2012. A primeira é fazer um profundo processo de qualificação e de melhorias no processo de gestão do SINPAF. Informatizando, dando transparência, aprimorando processos de controle etc. Realizaremos um seminário sobre o assunto em fevereiro, para discutir amplamente o processo de aprimoramento e aperfeiçoamento do processo de gestão administrativa, financeira e fiscal do sindicato. Isso vai nos trazer muitos benefícios, tanto do ponto de vista de melhor operacionalização do sistema de pagamento, de repasse, de controle e transparência como também no processo de desburocratização da máquina administrativa. Às vezes perdemos muito tempo realizando rotinas administras que nos tiram o tempo para atuar politicamente na base ou fora dela. Uma segunda bandeira fundamental para nós é a implantação do Plano de Lutas. Fizemos um congresso que aprovou uma diretriz de atuação política que envolve não só os dirigentes, mas toda a base, afinal, somos um sindicato que prioriza a organização por local de trabalho. Acho que esse diálogo deverá ser bastante aprofundado nas plenárias regionais.

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1 Comentário

  1. Espero que no ano vindouro podemos refletir, sobre as ações a serem tomadas de forma equilibrada, tendo o diálogo como única forma de negociar, pois invadir prédio, como o ocorrido no contesto atual não tem nada que justifique, pois este era um método usado nos anos de ditadura. Vivemos numa DEMOCRACIA, porventura venha esgotar o dialogo, temos a JUSTIÇA para recorremos. Espero que os canais que tinhamos dentro do MIT, vote a fluir, caso contrário as pessoas que tomaram essa decisão tenhão o gesto nobre de pedir para sair e dar lugar as pessoas que tenham como única arma o diálogo, agindo de maneira respeitosa.

 

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