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Nota da SS Amazônia aos presidentes das seções sindicais

A luta não tem sido fácil não fosse a coragem desses 8 trabalhadores em denunciar as suas condições precárias, degradantes  de trabalho e de maus tratos, se mantendo firmes e confiantes e a solidariedade da Diretoria Nacional do SINPAF, da CUT-AM e Nacional,  dos Sindicatos dos Jornalistas, dos Pescadores, dos Sociólogos e Metalúrgicos do estado do Amazonas.

Aos Presidentes de Seções Sindicais do SINPAF

Manaus, AM, 1º de fevereiro de 2012.

A Seção Sindical Amazonas, vem esclarecer aos companheiros sobre as denúncias de maus tratos e situação análoga a cárcere privado e trabalho escravo de trabalhadores da Embrapa Amazônia Ocidental.

A atual diretoria da Seção Amazonas foi eleita em agosto de 2010, quando a Unidade também passava por transição de Chefia que foi empossada somente em dezembro de 2010, permanecendo na atual gestão depois de 6 anos, a Chefia de P&D e Chefia Adjunta-Administrativa. Buscando uma boa relação de trabalho entre sindicato e empresa, fizemos uma reunião de boas vindas com a nova Chefia, quando nos propomos a ser parceiros e reafirmamos que não somos inimigos da Empresa mas tão somente zelamos pela seu bom nome, nem que para isso tenhamos que fazer embate para corrigir algum erro de percurso da gestão, caso houver.

Em janeiro de 2011 fizemos uma reunião, quando apresentamos algumas reivindicações dos trabalhadores dos campos experimentais, colhidas ainda no final de 2010, a exemplo de falta de comunicação telefônica do campo de Maués, cama, colchões, reforma de refeitórios, reforma nas moradias, melhoria na alimentação, transporte, etc e tal, bem como melhorar a relação de trabalho supervisor e supervisionado, onde nos propomos a mediar qualquer situação de atrito ou problema, para evitarmos punições desnecessárias.

A Chefia Geral fez nota das reivindicações. Como um mês depois não tínhamos tido nenhuma resposta, solicitamos outra reunião e a resposta dada foi que a Presidenta Dilma tinha feito corte de orçamento para Embrapa, e que no momento não teria como fazer nada para atender às reivindicações apresentadas.

Senhore(a)s presidentes de Seções Sindicais, ainda com aquela resposta dada, sempre buscamos o diálogo para resolver os conflitos, inclusive no caso das punições arbitrárias que tivemos conhecimento. Fomos bastante pacientes com a falta de vontade da Chefia em resolver os problemas apresentados pela Seção sindical.

A Seção Sindical ao apurar o caso de punição de um trabalhador do campo experimental DAS deparou-se com condições mais aviltantes ainda do que aquelas já apresentadas à Chefia da Unidade.  A situação encontrada foi de 8 trabalhadores sem transporte diário de um campo experimental distante de Manaus apenas  a 52Km, cuja supervisão trata a todos com hostilidade e ameaças de punição dos trabalhadores que não se sujeitam a sua vontade. Entre elas o impedimento dos trabalhadores voltarem para o convívio familiar e social ao final de um dia de trabalho. Este impedimento é só para os trabalhadores, pois o supervisor se utiliza do transporte com motorista todos os dias dizendo que o carro é somente para ele e para o motorista e ninguém mais, utilizando gasolina e carro somente em beneficio próprio.

Esses trabalhadores não são autorizados a saírem ao final do dia de trabalho do campo experimental e são responsabilizados pelos bens patrimoniais, sem receber por isso nenhuma compensação de pagamento de horas de sobreaviso durante a semana inteira. Além disso, são privados do convívio social e familiar que todo cidadão tem direito, além da privação ao acesso à educação que é um direito de todos e dever do Estado e da família e deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Este direito está estabelecido no Artigo 205 da Constituição Federal. A Embrapa Amazônia Ocidental possui outros 3 campos experimentais e somente esse não possui vigilância armada.

Os trabalhadores não tem cama, colchão; fazem sua própria refeição em regime de revezamento; tem acesso restrito ao telefone, pois o campo experimental não tem cobertura de telefonia móvel; não tem acesso à internet; não têm nenhuma assistência à saúde em caso de acidente de trabalho ou até mesmo à noite, caso alguém tenha algum agravo.

As condições da cozinha e refeitório são muito precárias com risco de contaminação por fezes de morcego, sem contar o risco de desabamento do galpão onde estão instalados refeitório, cozinha, escritório e quarto de um dos trabalhadores. As casas onde “moram” também necessitam urgentemente de reforma.

A Chefia foi indiferente à reivindicação dos trabalhadores para a compra de colchões, pois priorizou comprar colchões para visitantes angolanos em um dos campos experimentais. Ao sabermos de tal fato questionamos a Chefia, pois os trabalhadores que dão o suor pela empresa há mais de 20 anos não são reconhecidos pelo simples pedido de melhoria nas suas acomodações. Não obtivemos resposta.

Não bastasse tanta falta de sensibilidade e humanidade com os trabalhadores, os mesmos são sujeitos a sofrerem punições sem o direito ao contraditório, simplesmente recebem uma cartinha comunicando tal fato. Ou seja, para punir a Chefia é rápida, célere, mas atender às demandas do trabalhador que tem seu direito garantido no ACT faz pouco caso, fica indiferente. A Empresa tem muitas falhas  no tratamento com os trabalhadores, tanto com os concursados como com os terceirizados que são transportados em cima de caminhões para o trabalho no campo e são obrigados a passar o dia inteiro no campo sem direito de retornar para o almoço. Para esses trabalhadores tem a marmita que levam consigo desde as primeiras horas de trabalho e não lhes é dada as mínimas condições de higiene, como por exemplo, um banheiro químico, pois são cerca de 30 trabalhadores nestas condições todos os dias. Faz parte da história dos trabalhadores da Embrapa Amazônia Ocidental passar fome, isolamento, ficar sob a mira de revólver de bandidos.

Por último, no dia 21 de dezembro de 2011, formalizamos documento pedindo providências imediatas e resolução dos problemas anteriormente relatados pelos trabalhadores que estavam indignados ante a situação vivida por eles no campo experimental do – DAS, onde sofriam perseguição por parte do supervisor, sob ameaças constantes na avaliação do SAAD quando se negavam a servir de cozinheiros em sistema de revezamento; obrigados a permanecer após expediente sem qualquer remuneração, sendo que o transporte diário é regalia somente para supervisor e seu substituto e motorista; ficam sem atendimento de primeiros socorros, e nos plantões de final de semana, sem motorista para dar suporte;  por existir duas entradas nesse campo com a distância de 2km, arriscando a vida dos trabalhadores como já ocorrido 10 anos atrás, quando uma quadrilha de bandidos fizeram assalto a mão armada com a presença de somente um trabalhador semianalfabeto que foi amordaçado e amarrado sob ameaça de morte, roubaram 3 geradores e outras coisas mais, e a empresa não forneceu nem tratamento e nem acompanhamento psicológico ao trabalhador, e após 4 anos foi despedido por dirigir um trator alcoolizado para comprar comida na beira da BR-174 ao ficar no plantão. O alcoolismo desse trabalhador provavelmente foi agravado pelas condições de trabalho e pela falta de assistência médica e psicológica, após o assalto.

Como dirigente somos cobrados pelos trabalhadores por resultados de suas reivindicações. Afinal, nós, dirigentes, temos o mandato para fazer frente ao patrão. Assim, a Seção Sindical Amazonas por não mais aceitar o pouco caso daquela Chefia, pediu o apoio da Diretoria Nacional para resolver os problemas e apresentar resultados aos trabalhadores que já não suportam mais tais condições de trabalho.

Essa conversa da Embrapa, em dizer que o Sindicato não tem diálogo, ou que se precipitou em fazer denúncia e manchar o nome da Empresa, nada mais é do que a falta de assumir sua postura intransigente em meio a tanto diálogo sem resultado para o trabalhador. Quem mancha o nome da Empresa não é o Sindicato, mas os gestores da Embrapa por serem omissos ao não cumprirem ACT, pela truculência em tratar o trabalhador como “coisa” e não como ser humano, pela arrogância de não reconhecer o SINPAF como representante dos trabalhadores.

Companheiro(a)s, mantemos nosso posicionamento firme em prosseguir com a luta em defesa dos trabalhadores dos campos experimentais, mesmo depois da Chefia da Embrapa Amazônia Ocidental convocar todos os supervisores e alguns pesquisadores para desacreditarem a atuação do Sindicato na Assembleia Geral da SS Amazonas realizada no dia 27/2, de fazer ameças de retaliação aos dirigentes, de minimizar a fiscalização do MTE, de usar de artimanhas para convencer os trabalhadores do campo experimental a desistirem da denúncia e se afastarem do Sindicato.

A luta não tem sido fácil não fosse a coragem desses 8 trabalhadores em denunciar as suas condições precárias, degradantes  de trabalho e de maus tratos, se mantendo firmes e confiantes e a solidariedade da Diretoria Nacional do SINPAF, da CUT-AM e Nacional,  dos Sindicatos dos Jornalistas, dos Pescadores, dos Sociólogos e Metalúrgicos do estado do Amazonas. Ainda é preciso somar mais forças para o enfrentamento com a Embrapa, que é amparada pelo agronegócio e as multinacionais e por uma Justiça patronal. Mas confiamos no apoio do conjunto da nossa categoria que acreditamos, mobilizará mais forças para combatermos o trabalho degradante, o aviltamento da dignidade da pessoa humana em nossas instituições, quer seja nos campos experimentais e em outros ambientes de trabalho, pois não podemos deixar de considerar o assédio moral que tem crescido a olhos vistos na Embrapa.

Como dirigente sindical no cumprimento de seu papel, não nos intimidaremos, pois temos a consciência em paz com os trabalhadores.

Simone Alves
Presidente da Seção Sindical Amazonas

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1 Comentário

  1. Victor disse:

    Prezados, sou supervisor na Unidade (CPAA) e estive nessa assembléia e fui por livre e espontânea vontade, apenas para tentar entender melhor a posição do Sindicato e não a pedido da Chefia. Isso é para ver como vocês distorcem as coisas e manipulam tudo para justificar esa bagunça toda.

 

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